domingo, 8 de junho de 2014

UM ENJOADO NA PENSÃO MARAVILHA

Eu era um tolo muito enjoado para comer. Cheio de frescura. Isso não servia, aquilo não dava,queria só coisinha boa. Em 1986, quebrado por livre  desperdício de todo tipo,também ao trago e meretrício, fiquei sem emprego,credores na cola, fui então tentar a sorte em Porto Alegre; queria acertar minhas pendências com todos. Pensei que sem pressão seria melhor para começar uma nova vida. Fui morar na Pensão Maravilha, na Riachuelo, no centro de POA. Quarto conjugado e bem sujinho; o bichinho mais pequeno que morava por ali era uma lagartixa.Arrumei emprego na Gadol Assessoria e Cobrança.O salário dava para pagar a pensão e quase sempre o almoço de todo dia.Lá estava eu, sem família e amigos,por minha própria culpa penando solitário. E o sujeito que não comia arroz e feijão ficava com água na boca quando não podia pagar um prato feito. Tive de almoçar algumas vezes somente  pão com manteiga. Foi o único período em minha vida que passei fome. Quando passava por uma casa de lanches ficava doido para comer um Chess, mas não tinha grana. E aí eu me lembrava do desperdício do passado, e como aquilo doía. Foi sem dúvida uma grande lição, guardada na memória e no peito.

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